terça-feira, 25 de julho de 2017

FOLCLORE DO RS

Festas Juninas

Santos
Dia 12 de Junho Santo Antonio Fogueiras  quadrada
Simpatias. símbolo lírios
Dia 23 de Junho São João Fogueiras redonda
Brincadeiras. Símbolos: concha
   Dia 29 de junho são Pedro Fogueiras triangular
Símbolos: chave

Símbolos sociais:

Ave: Quero-quero, animal: Cavalo Crioulo, Flor: Brinco de Princesa, planta medicinal: Macela ou Marcela, Arvore: Erva mate, Bebida típica: Chimarrão, Comida Típica: Chrrasco, Monumento Estátua: O Laçador.
Danças tradicionais:
Chimarrita: Trazida pelos açores, com o nome de “Chamarrita”, passou da coreografia de pares enlaçados (dançava-se uma mistura de chote e valsa) a atual coreografia, caracterizada por fileiras opostas de peões e prendas que encontram-se e desencontram-se num ritual de namoro, passando a chamar-se de “Chimarrita”.
Maçanico: Uma das danças mais alegres do Rio Grande do Sul. É uma coreografia de fácil aprendizagem. Pôr suas características, diz-se que foi trazida pelos portugueses, principalmente à Santa Catarina e depois ao Rio Grande Do Sul. O nome advém de uma ave sul brasileira de nome “Maçanico”
Meia-canha: Dança em que se postam, homens e mulheres em círculo a rodar. Sua principal características são as trocas de versos.
Pau-de-fitas: Considerada a “dança universal”, a origem dessa marca tão difundida, se desconhece. No Brasil, dançava-se a “Dança das Fitas” nas Festas de Reis, cada Estado adotou um nome próprio e figuras diferentes. No RS, dança-se atualmente três figuras: a trama, a trança e a rede de pescador.
Pezinho: A dança mais popular do folclore rio-grandense. É uma dança simples de caráter totalmente contagiante. Caracteriza-se pela obrigatoriedade dos pares cantarem a melodia a não apenas executarem os passos.

Colonização Açoriana
Os portugueses com medo de perder seu território para os Espanhóis, decidirem incentivar a vinda dos casais açorianos para ocupar as suas terras. Assim, a partir de 1751 vários casais açorianos começaram a chegar no Brasil, os casais que chegavam no RS desembarcavam no Porto cujo o nome na época era porto Dornelles, com a chegada dos açorianos passou a ser chamado de Porto dos Casais, e hoje é chamado de Porto Alegre. Cidades colonizadas por Açorianos a maioria perto ou no litoral: Osório, Triunfo, Rio Pardo, Cachoeira do sul, General Câmara, Taquari, Viamão, Torres, Mostardas, Tavares, são Jose do Norte, Santo Antônio da Patrulha e Gravataí, além de Porto Alegre.
Os costumes trazidos: Comida como, sorda, Cadela oveira, cola gaita, pão recheado, empadas, pasteis, “rosinhas” de massa, ovos mexidos, ovos escaldados, “roupa velha” (sobras), peixe recheado, peixe escabeche, peixe frito, bacalhoada, bolinho de bacalhau. Conservas de pepino e cebola. Galinha assada, galinha recheada, arroz com galinha. Pães de forno, pão de panela, “mãe-benta”, biscoitos, “calça-virada”, coscorões, fatias-do-céu, merengues, broas, pudim de laranja, ambrosia de laranja, “manjar celeste”, pudim de pão, “ovos moles”, “fios-de-ovo”, arroz-de-leite, “bom-bocado”, balas de leite, de mel, tortas.
O emprego do “Tu”, as festas juninas e folguedos como bumba-meu-boi, cavalhadas, e folia do divino, festas juninas, a religiosidade católica, festas de padroeiros e a celebração de pentecostes e do divino espirito santo.
Nas danças podemos citar pezinho, maçanico, chimarrita, entre outras. Os açorianos trouxeram um novo conceito de família, pois o gaúcho não tinha na família a base nuclear da sociedade, a utilização de carretas, carroças e embarcações, uso de chalé tamancos e sais rodadas. No folclore trouxeram fadas lendas e mitos como lobisomem, bruxa e mula-sem-cabeça e ainda causos, trovas crendices, superstições, cantigas de roda e acalantos. Colonizarão varias cidades como: Osório, Triunfo, Rio Pardo, Cachoeira do sul, General Câmara, Taquari, Viamão, Torres, Mostardas, Tavares, São Jose do Norte, Santo Antônio da Patrulha e Gravataí, além de Porto Alegre.

Negros no RS

Os primeiros negros começaram a chegar no RS nas primeiras décadas de 1700, eram Tanto homens e mulheres capturados na África e trazidos para o brasil para serem vendidos como escravas, aqui  no RS trabalhavam principalmente nas produção de Charque, mas também nas lavouras, na captura do gado xucro, transportes, cargas e nos serviços domésticos.
No folclore, algumas lendas falam de escravos entre nós: As Torres Malditas, Cambai, Santa Josefa e o Negrinho do Pastoreio.

No linguajar, são correntes termos como: caiambola, cacimba, mondongo, mocotó, moleque, orixá, angu, cachaça, batuque, missanga, sanga, mandinga, samba etc..

Na culinária gaúcha brasileira, temos vários pratos: o mocotó, a feijoada e o quibebe, quindim, canjica, cocada, banana com pirão de farinha de mandioca, batata doce frita entre outras
Mas é na religiosidade popular que se encontra a cultura negra mais decisivamente. Desde o século passado, nota-se a existência de cultos negros em Porto Alegre com terreiros de batuque, que se proliferaram e hoje somam mais de 50.000 casas de Batuque em todo o Estado. Esta religião se subdivide em Nação, Umbanda e Quimbanda. Trazem a influencia no gosto pelos enfeites como: berloques, brincos, colares de guia e uso de turbantes.
Os negros além de trabalharem nas tropeadas, charqueadas, também eram ótimos em serviços domésticos, também tinham aqueles que prestavam serviços para seus donos como jornaleiros, padeiros e cozinheiras, com muito trabalho alguns deles conseguiam comprar a sua carta de alforria.
A devoção a Nossa Senhora do Rosário é demostrada pelos negros através da congada e do Quicumbi.

Alemães:

Chegaram em 1824 e se fixaram na atual cidade de São Leopoldo, fundaram muitas cidades como: Novo Hamburgo, Estrela, Lajeado, Venacio Aires, Santa Cruz do Sul, Ijuí e outras.
A imigração e a colonização alemã no Brasil tiveram um importante papel no processo de diversificação da agricultura e no processo de urbanização e de industrialização, tendo influenciado, em grande parte, a arquitetura das cidades  com o estilo enxaimel, típicas casa alemãs!
- O imigrante alemão  trouxe pra o brasil a religião protestante eles também contribuíram para o desenvolvimento urbano e da agricultura familiar; introduziu no país o cultivo do trigo e a criação de suínos. Na colonização alemã, não se pode negar, está a origem da formação de um campesinato típico homem  que cuida da terra, marcado fortemente com traços da cultura camponesa da Europa Central. 

- No domínio religioso, há de se reconhecer a influência dos pastores, padres e religiosos descendentes de alemães. Várias igrejas luteranas foram implantadas com a chegada dos imigrantes e o próprio ritual católico adquiriu certas especificidades nas comunidades alemãs. Truxeram as bandas sociedades de canto tiro ao alvo e bolão.

- A vida cultural dos imigrantes também teve um papel importante na formação da cultura do RS, especialmente no que diz respeito a certos hábitos alimentares, encenações teatrais típicas, corais de igrejas, bandas de música e assim por diante. Exemplo característico é a Oktoberfest que simboliza a alegria alemã, tendo incorporado, com adaptações e modificações, a gastronomia, a música, a língua alemãs. 
Influência gastronômica - salsichão, chucrute, purê de batata, carnes defumadas, bolo floresta negra, a cuca e o chope.
Musica: trouxeram o chotês, a polca, os instrumentos de sopro, que com a mistura de culturas foi se incorporando ao nosso fandango.
O habito de enfeitar o pinheiro de natal, e procurar ovos na páscoa também é germânico.
Festas, folias e folguedos: terno de atiradores, Oktoberfest e as festas de kerb.

                                                    Italianos


A partir de 1875, chegaram os primeiros grupos, vindos e se instalaram nas colônias Conde d'Eu (atualmente a cidade de Garibaldi), Dona Isabel (atualmente a cidade de Bento Gonçalves) e Caxias ( Dona Palmira). Ali eles passaram a viver da plantação de milho, trigo e outros produtos agrícolas; porém, a introdução do cultivo de vinho na região tornou a vinicultura a principal economia dos colonos italianos. No alto das serras sulistas nasceu um Brasil peculiar. Os índios que habitavam a região foram expulsos de suas terras para dar espaço à chegada dos italianos. Ali, os imigrantes criaram vilarejos que remetem àqueles encontrados no norte da Itália. Nas regiões altas do Sul, surgiu um Brasil com influência italiana. 

LENDAS

NEGRINHO DO PASTOREIO

Naquele tempo os campos ainda eram abertos, não havia entre eles nem divisas nem cercas; somente nas volteadas se apanhava a gadaria xucra e os veados e as avestruzes corriam sem empecilhos... 
Era uma vez um estancieiro, que tinha uma ponta de surrões cheios de onças e meias-doblas e mais muita prataria;. porém era muito cauíla e muito mau, muito.Não dava pousada a ninguém, não emprestava um cavalo a um andante; no invemo o fogo da sua casa não fazia brasas; as geadas e o minuano podiam entanguir gente, que a sua porta não se abria; no verão a sombra dos seu umbus só abrigava os cachorros; e ninguém de fora bebia água das suas cacimbas. Mas também quando tinha serviço na estância, ninguém vinha de vontade dar-lhe um ajutório; e a campeirada folheira não gostava de conchavar-se com ele, porque o homem só dava para comer um churrasco de tourito magro; farinha grossa e erva-caúna e nem um naco de fumo... e tudo, debaixo de tanta somiticaria e choradeira, que parecia que era o seu próprio couro que ele estava lonqueando... Só para três viventes ele olhava nos olhos: era para o filho, menino como uma mosca, para um bafo cabos- negros, que era o seu parelheirode confiança, e para um escravo, pequeno ainda, muito bonitinho e preto como carvio e a quem todos chamava somente o - Negrinho 

. A este não -deram padrinhos nem nome; por isso o Negrinho se dizia afiIhado da Virgem, Senhora Nossa, que é a madrinha de quem não a tem. 

Todas as madrugadas o Negrinho galopeava o parelheiro baio; depois conduzia os avios do chimarrão e à tarde sofria os maus tratos do menino, que o judiava e se ria. 
Um dia, depois de muitas negaças, o estancieiro atou carreira com um seu vizinho. Este queria que a parada fosse para os pobres; o outro que não, que não? que a parada devia ser do dono do cavalo que ganhasse. E trataram: o tiro era trinta quadras, a parada, mil onças de ouro. 

No dia aprazado, na concha da carreira havia gente como em festa de santo grande. 
Entre os dois parelheiros a gauchada não sabia se decidir, tão perfeito era e bem lançado cada um dos animais. Do baio era fama que quando corria, corria tanto, que o vento assobiava-lhe nas crinas; tanto, que só se ouvia o barulho, mas não se Ihe viam as patas baterem no chão... E do mouro era voz que quanto mais cancha, mais aguente, e que desde a largada ele ia ser como um laço que se arrebenta... 

As parcerias abriram as guaiacas, e aí no mais já se apostavam aperos contra rebanhos e redomões contra lenços. 
- Pelo baiol Luz e doble!...
- Pelo mourol Doble e luz!... 
Os corredores fizeram as suas partidas à vontade e depois as obrigadas; e quando foi na última, fizeram ambos a sua senha e se convidaram. E amagando o corpo, de rebenque no ar, largaram, os parelheiros meneando cascos, que parecia uma tormenta... 
- Empate! Empate! gritavam os aficionados ao longo da cancha por onde passava a parelha veloz, compassada como uma colhera. 
- Valha-me a Virgem madrinha, Nossa Senhora! gemia o Negrinho. Se os sete-léguas perde, o meu senhor me mata! Hip! hip! hip!... 
E baixava o rebenque, cobrindo a marca do baio. 
- Se o corta-vento ganhar é só para os pobres!... retrucava o outro corredor. Hip! hip! 

E cortava as esporas no mouro. 
Mas os fletes corriam, compassados como numa colhera. Quando foi na última quadra, o mouro vinha arrematado e o baio vinha aos tirões.., mas sempre juntos, sempre emparelhados.
E as duas braças da raia, quase em cima do laço, o baio assentou de supetão, pós-se em pé e fez uma cara-volta, de modo que deu ao mouro tempo mais que preciso para passa, ganhando de luz aberta! E o Negrinho, de em um ginetaço. 
- Foi mau jogo! gritava o estancieiro. 
- Mau jogo! secundavam os outros da sua parceria. 
A gauchada estava dividida no julgamento da carreira; mais de um torena coçou o punho da adaga, mais de um desapresilhou a pistola, maisn de um virou as esporas para o peito de pé... Mas o juiz, que era um velho do tempo da guerra de Sepé-Tiarajú, era um juiz macanudo, que já tinha visto muito mundo. Abanando a cabeça branca sentenciou, para todos ouvirem: 
- Foi na le! A carreira é de parada morta; perdeu o cavalo baio, ganhou o cavalo mouro. Quem perdeu, que pague. Eu perdi cem gateadas; quem as ganhou venha.buscá-las. Foi na lei! 
Não havia o que alegar. Despeitado e furioso, o estancieiro pagou a parada, à vista de todos, atirando as mil onças de ouro sobre o poncho do seu contrário, estendido no chão. 
E foi um alegrão por aqueles pagos, porque logo o ganhador mandou distribuir tambeiros e leiteiras, côvados de baeta e baguais e deu o resto, de mota, ao pobrerio. Depois as carreiras seguiram com os changueiritos que havia. 
O estancieiro retirou-se para a sua casa e veio pensando, pensando, calado, em todo o caminho. A cara dele vinha lisa, mas o coração vinha corcoveando como touro de banhado laçado a meia espalda... O trompaço das mil onças tinha-lhe arrebentado a alma. 
E conforme apeou-se, da mesma vereda mandou amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho. 
Na madrugada saiu com ele e quando chegou no alto da coxilha falou assim: 

- Trinta quadras. tinha a cancha da carreira que tu perdeste: trinta dias ficará aqui pastoreando a minha tropilha de trinta tordilhos negros... O baio fica de piquete na soga e tu ficas de estaca! 
O Negrinho começou a chorar, enquanto os cavalos iam pastando. 
Veio o sol, veio o vento, veio a chuva, veio a noite. O Negrinho, varado de fome e já sem força nas mãos, enleou a soga num pulso e deitou-se encostado a um cupim. 
Vieram então as corujas e fizeram roda, voando, paradas no ar, e todas olhavam-no com os olhos reluzentes, amarelos na escuridão. E uma piou e todas piaram, como rindo-se dele, paradas no ar, sem barulho nas asas. 
O Negrinho tremia, de medo... porém de repente pensou na sua madrinha Nossa Senhora e sossegou e dormiu. 
E dormiu. Era já tarde da noite, iam passando as estrelas; o Cruzeiro apareceu, subiu e passou; passaram as Três-Marias; a estrela-d'alva subiu... Então vieram os guaraxains ladrões e farejam o Negrinho e cortaram a guasca da sogra. O bafo sentindo-se solto rufou a galope, e toda a tropilha com ele, escaramuçando no escuro e desguaritando-se nas canhadas. 
O tropel acordou o Negrinho; os guaraxains fugiram, dando berros de escárnio. 
Os galos estavam cantando, mas nem o céu nem as barras do dia se enxergava: era a cerração que tapava tudo. 
E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou. 
O menino maleva foi lá e veio dizer ao pai que os cavalos não estavam. O estancieiro mandou outra vez amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho. 
E quando era já noite fechada ordenou-lhe que fosse campear o perdido. Rengueando, chorando e gemendo, o Negrinho pensou na sua,madrinha Nossa Senhora e foi ao oratório da casa, tomou o coto de vela aceso em frente da imagem e saiu para o campo. 
Por coxilhas e canhadas, na beira dos lagoões, nos paradeiros e nas restingas, por onde o Negrinho ia passando, a vela benta -ia pingando cera no chão: e de cada pingo nascia uma nova luz, e já eram tantas que clareavarn tudo. O gado ficou deitado, os touros não escarvaram a terra e as manadas xucras não dispararam... Quando os galos estavam cantando, como na véspera, os cavalos relincharam todos juntos. O Negrinho montou no baio e tocou por diante a tropilha, até a coxilha que o seu senhor Ihe marcara. 
E assim o Negrinho achou o pastoreio. E se riu... 
Gemendo, gemendo; o Negrinho deitou-se encostado ao cupim e no mesmo instante apagamm-se as luzes todas; e sonhando com a Virgem, sua madrinha, o Negrinho dormiu. E não apareceram nem as corujas agoureiras nem os guaraxúns ladrões; porém pior do que os bichos maus, ao clarear o dia veio o menino, fiIho do estancieiro e enxotou os cavalos, que se dispersaram, disparando campo afora, retouçando e desguaritando-se nas canhadas. 
O tropel acordou o Negrinho e o menino maleva foi dizer ao seu pai que os cavalos não estavam lá... 
E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou... 
O estancieiro mandou outra vez amarrar o Negrinho pelos pulsos, a um palanque e dar-lhe, dar-Ihe uma surra de relho... dar-lhe até ele não mais chorar nem bulir, com as carnes recortadas, o sangue vivo escorrendo do corpo... O Negrinho chamou pela Virgem sua madrinha e Senhora Nossa, deu um suspiro triste, que chorou no ar como uma música, e pareceu que morreu... 
E como já era de noite e para não gastar a enxada em fazer uma cova, o estancieiro mandou atar o corpo do Negrinho na panela de um formigueiro, que era para as formigas devorarem-Ihe a carne e o sangue e os ossos... E assanhou bem as formigas; e quando elas, raivosas, cobriram todo o corpo do Negrinho e começaram a trincá-lo, é que então ele se foi embora, sem olhar para trás. 
Nessa noite o estancieiro sonhou que ele era ele mesmo, mil vezes e que tinha mil filhos e mil negrinhos, mil cavalos baios e mil vezes mil onças de ouro.., e que tudo isto cabia folgado dentro dem um formigueiro pequeno... 
Caiu a serenada silenciosa e molhou os pastos, as asas dos pássaros e a casca das frutas. 
Passou a noite de Deus e veio a manhã e o sol encoberto. E três dias houve cerração forte, e três noites o estancieiro teve o mesmo sonho. 
A peonada bateu o campo, porém, ninguém achou a tropilha e nem rastro. 
Então o senhor foi ao formigueiro, para ver o que restava do corpo do escravo. 
Qual não foi o seu grande espanto, quando chegado perto, viu na boca do formigueiro o Negrinho de pé, com a pele lisa, perfeita, sacudindo de si as formigas que o cobriam ainda!... 
O Negrinho, de pé, e ali ao lado, o cavalo baio e ali junto, a tropilha dos trinta tordilhos.., e fazendo-lhe frente, de guarda ao mesquinho, o estancieiro viu a madrinha dos que não a têm, viu a Virgem, Nossa Senhora, tão serena, pousada na terra, mas mostrando que estava no céu...
Quando tal viu, o senhor caiu de joelhos diante do escravo. 
E o Negrinho, sarado e risonho, pulando de em pêlo e sem rédeas, no baio, chupou o beiço e tocou a tropilha a galope. 

E assim o Negrinho pela última vez achou o pastoreio. E não chorou, e nem se riu. 
Correu no vizindário a nova dó fadário e da triste morte do Negrinho, devorado na panela do formigueiro.

Porém logo, de perto e de longe, de todos os rumos do vento, começaram a vir notícias de um caso que parecia um milagre novo... 
E era, que os posteiros e os andantes, os que dormiam sob as palhas dos ranchos e os que dormiam na cama das macegas, os chasques que cortavam por atalhos e os tropeiros que vinham pelas estradas, mascates e carreteiros, todos davam notícia - da mesma hora - de ter visto passa, como levada em pastoreio, uma tropilhade tordilhos, tocada por um Negrinho, gineteando de em pêlo, em um cavalo baio!... 

Então, muitos acenderam velas e rezaram o Padre-nosso pela alma do judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma cousa, o que fosse, pela noite velha o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar da sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o remiu e salvou e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver. 
Todos os anos, durante três dias, o Negrinho desaparece: está metido em algum formigueiro grande, fazendo visita às formigas, suas amigas; a sua tropilha esparrama-se; e um aqui, outro por lá, os seus cavalos retouçam nas manadas das estâncias. Mas ao nascer do so do terceiro dia, o baio relincha perto do seu ginete; o Negrinho monta-o e vai fazer a sua recolhida; é quando nas estâncias acontece a disparada das cavalhadas e a gente olha, olha, e não vê ninguém, nem na ponta, nem na culatra. 
Desde então e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, sarado e risonho, cruza os campos, corta os macegais, bandeia as restingas, desponta os banhados, vara os arroios, sobe as coxilhas e desce às canhadas. O Negrinho anda sempre à procura dos objetos perdidos, pondo-os de jeito a serem achados,. pelos seus donos, quando estes acendem um coto de vela, cuja luzele leva para o altar da Virgem Senhora Nossa, madrinha dos que não a têm. 
Quem perder suas prendas no campo, guarde esperança: junto de algum moirão ou sob os ramos das árvores, acenda uma vela para o Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo - Foi por aí que eu perdi...
Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi!... 
Se ele não achar: ninguém mais. 

                                                            Salamanca do Jarau 

No tempo dos padres jesuítas, existia um moço sacristão no Povo de Santo Tomé, na Argentina, do outro lado do rio Uruguai. Ele morava numa cela de pedra nos fundos da própria igreja, na praça principal da aldeia.
Ora, num verão mui forte, com um sol de rachar, ele não conseguiu dormir a sesta. Vai então, levantou-se, assoleado e foi até a beira da lagoa refrescar-se. Levava consigo uma guampa, que usava como copo.
oisa estranha: a lagoa toda fervia e largava um vapor sufocante e qual não é a surpresa do sacristão ao ver sair d'água a própria Teiniaguá, na forma de uma lagartixa com a cabeça de fogo, colorada como um carbúnculo. Ele, homem religioso, sabia que a Teiniaguá - os padres diziam isso!- tinha partes com o Diabo Vermelho, o Anhangá-Pitã, que tentava os homens e arrastava todos para o inferno. Mas sabia também que a Teiniaguá era mulher, uma princesa moura encantada jamais tocada por homem.
Aquele pelo qual se apaixonasse seria feliz para sempre.
Assim, num gesto rápido, aprisionou a Teiniagá na guampa e voltou correndo para a igreja, sem se importar com o calor. Passou o dia inteiro metido na cela, inquieto, louco que chegasse a noite.
Quando as sombras finalmente desceram sobre a aldeia, ele não se sofreu: destampou a guampa para ver a Teiniaguá. Aí, o milagre: a Teiniaguá se transformou na princesa moura, que sorriu para ele e pediu vinho, com os lábios vermelhos. Ora, vinho só o da Santa Missa. Louco de amor, ele não pensou duas vezes: roubou o vinho sagrado e assim, bebendo e amando, eles passaram a noite.
No outro dia, o sacristão não prestava para nada. Mas, quando chegou a noite, tudo se repetiu. E assim foi até que os padres finalmente desconfiaram e numa madrugada invadiram a cela do sacristão. A princesa moura transformou-se em Teiniaguá e fugiu para as barrancas do rio Uruguai, mas o moço, embriagado pelo vinho e de amor foi preso e acorrentado.
Como o crime era horrível - contra Deus e a Igreja! - foi condenado a morrer no garrote vil, na praça, diante da igreja que ele tinha profanado.
No dia da execução, todo o Povo se reuniu diante da igreja de São Tomé. Então, lá das barrancas do rio Uruguai a Teiniaguá sentiu que seu amado corria perigo. Aí, com todo o poder de sua magia, começou a procurar o sacristão abrindo rombos na terra, um valos
enormes, rasgando tudo. Por um desses valos ela finalmente chegou à igreja bem na hora em que o carrasco ia garrotear o sacristão. O que se viu foi um estouro muito grande, nessa hora, parecia que o mundo inteiro vinha abaixo, houve fogo, fumaça e enxofre e tudo afundou e tudo desapareceu de vista. E quando as coisas clarearam a Teiniaguá tinha libertado o sacristão e voltado com ele para as barrancas do rio Uruguai.
Vai daí, atravessou o rio para o lado de cá e ficou uns três dias em São Francisco de Borja, procurando um lugar afastado onde os dois apaixonados pudessem viver em paz. Assim, foram parar no Cerro do Jarau, no Quaraim, onde descobriram uma caverna muito funda e comprida. E lá foram morar, os dois.
Essa caverna, no alto do Cerro, ficou encantada. Virou Salamanca, que quer dizer "gruta mágica", a Salamanca do Jarau. Quem tivesse
coragem de entrar lá, passasse 7 Provas e conseguisse sair, ficava com o corpo fechado e com sorte no amor e no dinheiro para o
resto da vida.
Na Salamanca do Jarau a Teiniaguá e o sacristão se tornaram os pais dos primeiros gaúchos do Rio Grande do Sul. Ah, ali vive
também a Mãe do Ouro, na forma de uma enorme bola de fogo. Às vezes, nas tardes ameaçando chuva, dá um grande estouro numa
das cabeças do Cerro e pula uma elevação para outra. Muita gente viu.

A lenda da Casa de MBororé (Missões)
No tempo dos Sete Povos das Missões, havia um índio velho muito fiel aos padres jesuítas, chamado MBororé. Com a chegada dos invasores portugueses e espanhóis, os padres precisaram fugir levando em carretas os tesouros e bens que pudessem carregar. Assim, amontoaram o muito que não podiam levar consigo – ouro, prata, alfaias, jóias, tudo!- e construíram ao redor uma casa branca, sem porta e sem janela. Para evitar a descoberta da casa pelo inimigo e o conseqüente saqueio, deixaram o velho índio fiel MBororé cuidando, com ordens severas de só entregar o tesouro quando os jesuítas voltassem às Missões.

                                                                         M'Boitatá

Num tempo muito antigo, muito, houve uma noite tão comprida que pareceu quenunca mais haveria luz do dia.
Noite escura como breu, sem lume no céu, sem vento, sem serenada e sem rumores,sem cheiro dos pastos maduros nem das flores da mataria.
Os homens viveram abichornados, na tristeza dura; e porque churrasco não havia,não mais sopravam labaredas nos fogões e passavam comendo canjica insossa; osborralhos estavam se apagando e era preciso poupar os tições...


Os olhos andavam tão enfarados da noite, que ficavam parados, horas e horas,olhando, sem ver as brasas vermelhas do nhanduvai... as brasas somente, porqueas faíscas, que alegram, não saltavam, por falta do sopro forte de bocascontentes.
Naquela escuridão fechada nenhum tapejara seria capaz de cruzar pelos trilhosdo campo, nenhum flete crioulo teria faro nem ouvido nem vista para bater naquerência; até nem sorro daria no seu próprio rastro!
E a noite velha ia andando... ia andando...
Minto:
no meio do escuro e do silêncio morto, de vez em quando, ora duma banda oradoutra, de vez em quando uma cantiga forte, de bicho vivente, furava o ar: era otéu-téu ativo, que não dormia desde o entrar do último sol e que vigiavasempre, esperando a volta do sol novo, que devia vir e que tardava tanto já...
Só o téu-téu de vez em quando cantava; o seu - quero-quero! - tão claro,vindo de lá do fundo da escuridão, ia agüentando a esperança dos homens,amontoados no redor avermelhado das brasas.
Fora disto, tudo o mais era silêncio; e de movimento, então, nem nada.
Minto:
na última tarde em que houve sol, quando o sol ia descambando para o outro ladodas coxilhas, rumo do minuano, e de onde sobe a estrela-d’alva, nessa últimatarde também desabou uma chuvarada tremenda; foi uma manga d’água que levouum tempão a cair, e durou... e durou...
Os campos foram inundados; as lagoas subiram e se largaram em fitas coleandopelos tacuruzais e banhados, que se juntaram, todos, num: os passos cresceram etodo aquele peso d’água correu para as sangas e das sangas para os arroios,que ficaram bufando, campo fora, campo fora, afogando as canhadas, batendo nolombo das coxilhas. E nessas coroas é que ficou sendo o paradouro da animalada,tudo misturado, no assombro. E era terneiros e pumas, tourada e potrilhos,perdizes e guaraxains, tudo amigo, de puro medo. E então!...
Nas copas dos butiás vinham encostar-se bolos de formigas; as cobras seenroscavam na enrediça dos aguapés; e nas estivas do santa-fé e das tiriricasboiavam os ratões e outros miúdos.
E, como a água encheu todas as tocas, entrou também na cobra-grande, a -boiguaçu - que, havia já muitas mãos de luas, dormia quieta, entanguida. Elaentão acordou-se e saiu, rabeando.
Começou depois a mortandade dos bichos e a boiguaçu pegou a comer as carniças.Mas só comia os olhos e nada, nada mais.
A água foi baixando, a carniça foi cada vez engrossando, e a cada hora maisolhos a cobra-grande comia.
Cada bicho guarda no corpo o sumo do que comeu.
A tambeira que só come trevo maduro, dá no leite o cheiro doce do milho verde;o cerdo que come carne de bagual nem vinte alqueires de mandioca o limpam bem; eo socó tristonho e o biguá matreiro até no sangue tem cheiro de pescado.Assim também, nos homens, que até sem comer nada, dão nos olhos a cor de seusarrancos. O homem de olhos limpos é guapo e mão-aberta; cuidado com osvermelhos; mais cuidado com os amarelos; e, toma tenência doble com os raiadose baços!...

Assim foi também, mas doutro jeito, com a boiguaçu, que tantos olhos comeu.
Todos - tantos, tantos! que a cobra-grande comeu -, guardavam, entranhado eluzindo, um rastilho da última luz que eles viram do último sol, antes danoite grande que caiu... E os olhos - tantos, tantos! - com um pingo de luz cadaum, foram sendo devorados; no princípio um punhado, ao depois uma porção,depois um bocadão, depois, como uma braçada.
E vai,como a boiguaçu não tinha pêlos como o boi, nem escamas como o dourado, nempenas como o avestruz, nem casca como o tatu, nem couro grosso como a anta, vai,o seu corpo foi ficando transparente, transparente, clareado pelos miles deluzezinhas, dos tantos olhos que foram esmagados dentro dele, deixando cada qualsua pequena réstia de luz. E vai, afinal, a boiguaçu toda já era uma luzerna,um clarão sem chamas, já era um fogaréu azulado, de luz amarela e triste efria, saída dos olhos, que fora guardada neles, quando ainda estavam vivos...
Foi assim e foi por isso que os homens, quando pela vez primeira viram a boiguaçutão demudada, não a conheceram mais. Não conheceram e julgando que era outra,muito outra, chamam-na desde então, de boitatá, cobra de fogo, boitatá, aboitatá!
E muitas vezes a boitatá rondou as rancheiras, faminta, sempre que nem chimarrão.Era então que o téu-téu cantava, como bombeiro.
E os homens, por curiosos, olhavam pasmados, para aquele grande corpo deserpente, transparente - tatá, de fogo - que media mais braças que três laçosde conta e ia alumiando baçamente as carquejas... E depois, choravam. Choravam,desatinados do perigo, pois as suas lágrimas também guardavam tanta ou maisluz que só os olhos e a boitatá ainda cobiçava os olhos vivos dos homens, quejá os das carniças a enfaravam...
Mas, como dizia:
na escuridão só avultava o clarão baço do corpo da boitatá, e era por elaque o téu-téu cantava de vigia, em todos os flancos da noite.
Passado um tempo, a boitatá morreu; de pura fraqueza morreu, porque os olhoscomidos encheram-lhe o corpo mas lhe não deram substância, pois que sustâncianão tem a luz que os olhos em si entranhada tiveram quando vivos... Depois derebolar-se rabiosa nos montes de carniça, sobre os couros pelados, sobre ascarnes desfeitas, sobre as cabelamas soltas, sobre as ossamentas desparramadas,o corpo dela desmanchou-se, também como cousa da terra, que se estraga de vez.
E foi então, que a luz que estava presa se desatou por aí.
E até pareceu cousa mandada: o sol apareceu de novo!
Minto:
apareceu sim, mas não veio de supetão. Primeiro foi-se adelgaçando o negrume,foram despontando as estrelas; e estas se foram sumindo no coloreado do céu;depois foi sendo mais claro, mais claro, e logo, na lonjura, começou a subiruma lista de luz... depois a metade de uma cambota de fogo... e já foi o solque subiu, subiu, subiu, até vir a pino e descambar, como dantes, e destafeita, para igualar o dia e a noite, em metades, para sempre.
Tudo o que morre no mundo se junta à semente de onde nasceu, para nascer denovo: só a luz da boitatá ficou sozinha, nunca mais se juntou com a outra luzde que saiu.
Anda sempre arisca e só, nos lugares onde quanta mais carniça houve, mais seinfesta. E no inverno, de entanguida, não aparece e dorme, talvez entocada.
Mas de verão, depois da quentura dos mormaços, começa então o seu fadário.
A boitatá, toda enroscada, como uma bola - tatá, de fogo! - empeça a correr ocampo, coxilha abaixo, lomba acima, até que horas da noite!...
É um fogo amarelo e azulado, que não queima a macega seca nem aquenta a águados manantiais; e rola, gira, corre, corcoveia e se despenca e arrebenta-se,apagado... e quando um menos espera, aparece, outra vez, do mesmo jeito!
Maldito! Tesconjuro!
Quem encontra a boitatá pode até ficar cego... Quando alguém topa com ela sótem dois meios de se livrar: ou ficar parado, muito quieto, de olhos fechadosapertados e sem respirar, até ir-se ela embora, ou, se anda a cavalo,desenrodilhar o laço, fazer uma armada grande e atirar-lhe em cima, e tocar agalope, trazendo o laço de arrasto, todo solto, até a ilhapa!
A boitatá vem acompanhando o ferro da argola... mas de repente, batendo numamacega, toda se desmancha, e vai esfarinhando a luz, para emutilar-se de novo,com vagar, na aragem que ajuda.
Campeiro precatado! reponte o seu gado da querência da boitatá: o pastiçal, aífaz peste....
Tenho visto!



Nos sete povos das Missões, no Pirapó, ainda no tempo dos padres jesuítas, vivia um índio muito triste, que se escondia de tudo e de todos pelos matos e peraus. Era um verdadeiro fantasma e por isso era chamado de Angoéra (fantasma, em guarani). E fugia da igreja
como o diabo da cruz!

Mas um dia a paciência dos padres valeu mais e o Angoéra foi batizado, convertendo-se à fé cristã e deixando de vagar pelos rincões escondidos. Recebeu o nome de Generoso e tornou-se alegre e bom, mui amigo de festas e alegrias. E um dia morreu, mas sua alma alegre e festeira continuou por aí, até hoje, campeando diversão. Onde tenha um fandango, lá anda rondando a alma do Generoso. Se rufa uma viola sozinha, é a mão dele. Se houve uma risada galponeira ou se levanta de repente a saia de alguma moça, todos sabem - é ele.
Quando isto acontece, o tocador que está animando a festa deve cantar em sua homenagem: 
"Eu me chamo Generoso, morador de Pirapó. Gosto muito de dançar com as moças, de paletó".



Quando a Sagrada Família fugia para o Egito, com medo das espadas dos soldados do rei Herodes, muitas vezes precisou se
esconder no campo, quando os perseguidores chegavam perto.
Numa dessas vezes, Nossa Senhora, escondendo o Divino Piá, pediu a todos os bichos que fizessem silêncio, que não cantassem,
porque os soldados do rei podiam ouvir e dar fé.
Todos obedeceram prontamente, mas o Quero-quero, não: queria porque queria cantar. E dizia: Quero! Quero! Quero!
E tanto disse que foi amaldiçoado por Nossa Senhora: ficou querendo até hoje.



O Umbú é uma árvore grande e folhuda que cresce no pampa.
Muitas vezes é solitária, erguendo-se única no descampado e atrai os campeiros, os tropeiros, os carreteiros que fazem pouso sob sua proteção. O tronco do Umbu é muito grosso, as raízes fora da terra são grandes, mas ninguém usa a madeira da árvore - não serve para nada, mesmo. É farelenta, quebradiça, parece feita de uma casca em cima da outra.
Por quê?


Pois não vê que quando Deus Nosso Senhor criou o mundo, ao fazer as árvores perguntava a cada uma delas o que queria na terra.
A laranjeira, o pessegueiro, a macieira, a pereira e assim por diante, quiseram frutos deliciosos. O pau-ferro, o angico, o ipê, o açoita-
cavalo, a guajuvira, pediram madeira forte.
- E tu, Umbú, queres também frutos doces e madeira forte?
- Nada, Senhor. - respondeu o Umbú. - Eu quero apenas folhas largas para as sesteadas dos gaúchos e uma madeira tão fraca que se quebre ao menor esforço.
- A sombra, Eu compreendo - disse o Senhor. - Mas porque a madeira fraca?
- Porque eu não quero que algum dia façam dos meus braços a cruz para o martírio de um justo.
E Deus Nosso Senhor, que teve o filho crucificado, atendeu o pedido do Umbú.


BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS

Brinquedos e brincadeiras:

Brincadeiras para animar: são aquelas que  estimulam a criança a se movimentar, caminhar, correr, pular, utilizar bastante os braços e as pernas. São sempre alegres, seja nos textos, seja na prática. O objetivo, além da diversão, pode ser de aprimorar a coordenação motora, a interação com outras crianças e a disposição na execução dos movimentos. Exemplos: brincadeiras com o uso de agua, areia, terra, barro, agua e sabão, babalu, batalha de mãos, cama de gato, pula  corda, brincadeiras com palmas, sombras animadas, jogo de bolita, desafios como “ o ultimo é...”
Brincadeiras cantadas: são aquelas que se realizam a partir de uma canção.
Exemplo: A canoua virou, Teresinha de Jesus, a carrocinha, samba-le-le, coelhinho da páscoa, o pintinho amarelinho, siriri.
Formuletes: são utilizados para a criança escolher este ou aquele companheiro pra desempenhar um papel na brincadeira. Exemplo: casa, não casa, Rei capitão, um, dois, três, minha mãe mandou.
Gestos e caretas: a criança aprende a fazer mimicas e interpretar, comunicando-se por gestos e expressões faciais.
Exemplos: proibido falar, adivinhe o objeto, cara preparada.
Paralendas: consistem em vrsos de quatro, cinco ou seis silabas, rimadas pelos toantes. Elas tem função de guardar a memória utilizadas para gravar nomes, datas, lugares, as parlendas podem também vir com gestos.
Exemplos: quem cochicha, eu fui junto, ta com friu?, cade o toicinho, amanhã é domingo, um dois, feijão com a arroz, angolinhas, cade o ratinho, mal-me-quer.
Jogos competitivos: podem utilizar objetos ou não e servem para dar a criança o senso de competição diciplina e cooperação>
Exemplo: bulita, peteca, sapata, amarelinha, ovo podre, cinco marias, o gato e o rato, caçador, pega-pega, gata-cega.
Jogos de habilidades: são jogos que utilizão a competição e ou a habilidade da criança. Exemplo: bilboquê, ioiô, botãom e pião.
Jogos de tabuleiro: estimulão o pensamento rápido, melhoram a escrita e o vocabulário.
Exemplo: damas, moinho, vispora, forca, joga da velha.

Nos brinquedoa ainda temos aqueles que dispertam a imaginação das crianças como: boneca de todos os tipos, carrinho de lata, trenzinhos, aviãozinho, barcos e cavalinhos de pau,pandorga ou pipa e as carretinhas feitas de peda ou latas chamadas de tropa de osso.

CHIMARRÃO

Chimarrão
O Chimarrão é um legado do índio Guarani.
Sempre presente no dia-a-dia, o chimarrão constituiu-se na bebida típica do Rio Grande do Sul, ou seja, na tradição representativa do nosso pago. Também conhecido como mate amargo, como bebida preferida pelo gaúcho, constitui-se no símbolo da hospitalidade e da amizade do gaúcho. É o mate cevado sem açúcar, preparado em uma cuia e sorvido através de uma bomba. É a bebida proveniente da infusão da erva-mate, planta nativa das matas sul-americanas, inclusive no Rio Grande do Sul.
O homem branco, ao chegar no pago gaúcho, encontrou o índio guarani tomando o CAA, em porongo, sorvendo o CAÁ-Y, através do TACUAPI.
Podemos dizer, que o chimarrão é a inspiração do aconchego, é o espírito democrático, é o costume que, de mão – em - mão, mantém acesa a chama da tradição e do afeto, que habita os ranchos, os galpões dos mais longínquos rincões do pago do sul, chegando a ser o maior veículo de comunicação.
O mate é a voz quíchua, que designa a cuia, isto é, o recipiente para a infusão do mate. Atualmente, por extensão passou a designar o conjunto da cuia, erva-mate e bomba, isto é, o mate pronto.
O homem do campo passou o hábito para a cidade, até consagrá-lo regional. O Chimarrão é um hábito, uma tradição, uma espécie de resistência cultural espontânea.
Os avios ou os apetrechos do mate constituem o conjunto de utensílios usados para fazer o mate. Os avios do mate são fundamentalmente a cuia e a bomba.

A CUIA NOVA
Quando a cuia é nova, é necessário curti-la antes de começar a matear. Para tal, é necessário enchê-la de erva-mate pura ou ainda misturada com cinza vegetal e água quente, que deve permanecer de dois a três dias, mantendo a umidade, para que fique bem curtida, impregnando o gosto da erva em suas paredes. O uso da cinza é para dar maior resistência ao porongo. Após o tempo determinado, retira-se a erva da cuia e, com uma colher, raspa-se bem o porongo, para retirar alguns baraços que tenham ficado.

VOCABULÁRIO
Caá-y = bebida do mate = chimarrão
Tacuapi= bomba primitiva, feita de taquara pelos índios guaranis.

O MATE E A SUA INTIMIDADE
O ato de preparar um mate diz-se: “cevar um mate” ou “fechar um mate”, ou “fazer um mate” ou ainda ”enfrenar um mate”. A palavra amargo é muito usada em lugar de mate ou chimarrão. O convite para tomar um mate é feito das seguintes formas:
Vamos matear?
Vamos gervear?
Vamos chimarrear?
Vamos verdear?
Vamos amarguear?
Vamos apertar um mate?
Vamos tomar um chimarrão?
Vamos tomar mate ou um mate
Que tal um mate?

A COMPANHIA
O MATE PODE SER TOMADO DE TRÊS MANEIRAS:
MATE SOLITO : quando não precisa de estímulo maior para matear, a não ser a sua própria vontade. É o verdadeiro mateador.
MATE DE PARCERIA: quando se espera por um ou mais companheiros para matear a fim de motivar o mate, pois não gosta de matear sozinho.
RODA DE MATE: é na roda de mate, que esta tradição assume seu apogeu, agrupando pessoas sem distinção de raça, credo, cor ou posse material. Irmanados num clima de respeito, o mate integra gerações numa trança de usos e costumes, que floresce na intimidade gaúcha.

CHIMARRÃO É RICO EM POESIA
Antigamente, Quando os namoros eram de longe, através de troca de olhares, os apaixonados utilizavam o mate como meio de comunicação e, de acordo com o que era posto na cuia, a mensagem era recebida e interpretada. Ao longo de sua história, o chimarrão é utilizado como veículo sutil de comunicação com objetivos sentimentais.
Atualmente, os costumes mudaram, mas o hábito do chimarrão permanece cada vez mais forte, caracterizando o povo gaúcho.

SIGNIFICADO DOS MATES
Mate com açúcar: quero a tua amizade
Mate com açúcar queimado: és simpático
Mate com canela: só penso em ti
Mate com casca de laranja: vem buscar-me
Mate com mel: quero casar contigo
Mate frio: desprezo-te
Mate lavado: vai tomar mate em outra casa
Mate enchido pelo bico da bomba: vás embora
Mate muito amargo (redomão): chegaste tarde, já tenho outro amor
Mate com sal: não apareças mais aqui
Mate muito longo: a erva está acabando
Mate curto: pode prosear a vontade
Mate servido com a mão esquerda: você não é bem vindo
Mate doce: simpatia

RECIPIENTES PARA ÁGUA


CALDEIRA: recipiente grande, muito utilizada para aquecer grande quantidade de água, para diversas finalidades. é mais bojuda que o jarro, não possui tampa nem bico tubular. Os fogões à lenha possuem um recipiente chamado caldeira, que tem a mesma função da caldeira, semelhante ao jarro .
CHALEIRA GRANDE: de uso semelhante ao da caldeira. É muito encontrada nas cozinhas da campanha, nos fogões de barro e nos galpões e nos braseiros do fogo de chão. Por ser muito grande, seu manejo é incômodo.
CHALEIRA MÉDIA: Também conhecida por pava. Devido ao seu tamanho, é a mais usada, quer para aquecer a água, quanto para servir o mate.

 

CHALEIRA PRETA DE FERRO: varia muito de tamanho e forma mas é o tipo mais comum. Com o uso, chega a criar uma crosta de picumã, que não deve ser removida, pois pode furar com facilidade.


CAMBONA PRIMITIVA: estas cambonas vinham da Inglaterra, com chá-da-índia. Eram feitas de cobre e possuíam a parte de baixo arredondada e sua alça era deita de arame ou de lata. Serviam para preparar alimentos, aquecer água. Tem um refrão popular, que muito bem traduz o quanto à cambona é desajeitada, virando com muita facilidade, que é: “Cambona em cima de tição, tomarás mate ou não!”.
CAMBONA: pode ser feita de qualquer lata, pois sua finalidade é única e exclusivamente a de aquecer água, sem precisar de muito fogo. Sua confecção é simples, basta Um pedaço de arame passado várias vezes junto ao local da lata, deixando Um rabicho para pegar e está pronta a cambona. Alguns preferem improvisar um rabicho de arame na parte de cima ou uma alça de arame, prendendo em cima e em baixo da lata e ainda enfiam no rabicho ou na alça, um pedaço de osso de canela do gado, para evitar o calor ao pegar. A picumã, que adere à cambona, não deve ser retirado, pois enfraquece o recipiente.
 
CHICOLATEIRA: A chicolateira é um recipiente usado nos fogões campeiros, para aquecer a água. Ela difere da cambona, uma vez que possui alça, tampa e um pequeno bico. É um utensílio que requer algum acabamento. È muito usada, não só nos galpões e cozinhas campeiras, como também por carreteiros e tropeiros. O termo chicolateira é uma corruptela de chocolateira.

TRADICIONALISMO E FOLCLORE PARTE I

Inicio do Tradicionalismo
Inicio  do tradicionalismo do estado se da com a fundação de grêmio gaúcho em porto alegre em 22 de maio de 1898, pelo patrono do tradicionalismo gaúcho Cezimbra Jaques.
Logo depois outras instituições foram criadas copiando o grêmio gaúcho, que  era um clube que tinha o objetivo de resgatar as lidas campeiras e cultivar a tradição gaúcho, baseado totalmente na sociedade ‘La crioula” em Montevideu, Cezimbra Jaques copiou o estilo da sociedade e trouxe para o grêmio gaúcho.
Em 1947 um jovem , decidido em fazer a diferença no mundo, fica indignado em ver a bandeira do estado servindo de cortina em um bar desajeitado, assim ele funda o DTG Julho de Castilhos na escola Julho de Castilhos em Porto Alegre, em Setembro deste ano, ele e oito amigos ( Piquete da tradição ou Grupo dos oito) recebe  a missão de levar os restos mortais do general faaroupilha David Canabarro pelas ruas de Porto Alegre, com encilhas e cavalos emprestados eles invadem as ruas de Porto Alegre, mostrando a todos o que era ser gaúcho.
No mesmo mês Paixão Cortes tem ideia de fazer uma ronda crioula, ele recebe a centelha da chama da pátria e a coloca em um candeeiro, nasce assim a chama crioula, que ficou guardada em ronda no DTG Julho de Castilhos do colégio Julinho. A Ronda durou 12 dias, foi a primeira semana farroupilha do estado, no dia 20 de setembro foi realizado o 1º Baile Gaucho do Estado, com musica gauchesca pilcha e comida típica, foi escolhida a mais bela prenda, o gaúcho mais bem pilchado, e feito o primeiro vestido de prenda usado pela irmã de paixão e feito por sua mãe.
 O nome do grupo dos 8: Antônio João de Sá Siqueira, Fernando Machado Vieira, João Machado Vieira, Cilço Campos, Ciro Dias da Costa, Orlando Jorge Degrazzia, Cyro Dutra Ferreira e João Carlos Paixão Côrtes.
Com o passar do tempo o movimento cresceu e eram realizadas reuniões na casa da mãe de paixão cortes, lá eles conversavam sobre as coisa do campo e da tradição, nesta época um jovem Barbosa Lessa se junta aos tradicionalistas tem a idéia de fundar uma sociedade cívica, com objetivo de cultivar a tradição, ele começa a buscar assinaturas para esta fundação que mais tarde se torna o 35 CTG, nome dado Por Glaucus Saraiva, que também deu a nomenclatura da diretoria do CTG, como Patrão e Sota- capataz. O 35 CTG foi fundado em 1948.
A tese o valor e o sentido Tradicionalista, foi apresentada no 1º congresso tradicionalista em Santa Maria, em julho de 1954, e o documento que explica a criação do sentimento tradicionalista e as razoes de cultivar as tradições do nosso estado.
A Carta de Princípios foi apresentado no  8º Congresso tradicionalista na cidade de taquara no CTG o Fagão Gaúcho, apresenta pelo folclorista Glaucus Saraiva.
Era 28 de outubro de 1966, estava criado o Movimento Tradicionalista Gaúcho-MTG e seu estatuto. A criação do MTG foi a realização do anseio e da culminância do trabalho de muitos tradicionalistas. O MTG hoje é o órgão catalisador, disciplinador, orientador das atividades dos seus filiados, especialmente no que diz respeito ao preconizado em sua Carta de Princípios.



É a união das diferentes gerações . É a entidade associativa, que congrega mais de 1400 Entidades Tradicionalistas, legalmente constituídas, conhecidas por Centro de Tradições Gaúchas ou outras denominações, que as identifiquem com a finalidade a que se propõe, que são as “entidades a fins”. As Entidades Tradicionalistas filiadas ao MTG estão distribuídas nas 30 Regiões Tradicionalistas, as quais agrupam os municípios do RS. É um movimento cívico, cultural e associativo. Sua sede é própria e está instalada à rua Guilherme Schell, n.º 60, no Bairro Santo Antônio, em Porto Alegre, tendo sido inaugurada no mês de dezembro de 1998.



O MTG é uma sociedade civil sem fins lucrativos, dedica-se à preservação, resgate e desenvolvimento da cultura gaúcha, por entender que o tradicionalismo é um organismo social de natureza nativista, cívica, cultural, literária, artística e folclórica, conforme descreve simbolicamente o Brasão de Armas do MTG, com as sete ( 7 ) folhas do broto, que nasce do tronco do passado.


Sua administração constitui-se atualmente por Conselheiros Efetivos e por Conselheiros Suplentes, os quais compõem o Conselho Diretor, pelas trinta Coordenadorias Regionais e por Conselheiros da Junta Fiscal, sem qualquer remuneração. Todos dedicam- se graciosamente para que o MTG tenha condições de atingir seus objetivos, que estão pautados no “Congregar os Centros de Tradições Gaúchas e entidades a fins, e preservar o núcleo da formação gaúcha, cuja filosofia decorrente da sua Carta de Princípios do MTG”.
Tema dos festejos Farroupilhas de 2017:
“FARROUPILHAS: IDEALISTAS, REVOLUCIONÁRIOS e FAZEDORES DA HISTÓRIA”
Função da Patronagem do CTG
Patrão: administra o CTG e escolhe quem vai ajuda-lo pra isso com os cargos de confiança.
Vice- Patrão : Ajuda o patrão a administrar a entidade, e o substitui quando necessário.
Capataz- Geral ou Capataz: Tem o objetivo de ajudar o patrão  a resolver problemas e auxiliar quando necessário, também conhecido como 2º vice-patrão
Sota-capataz: Secretário, responsável, por cuidar da documentação do CTG, e redigir atas.
Agregado das pilchas: è o responsável por cuidar do caixa do CTG, compras pagamentos, e relatório de finanças.
Conselho fiscal ou de vaqueanos: fiscaliza a Patronagem e ajuda no trabalho na entidade.
Entidades
Plenas: Possui áreas cultural, campeira e artística
Parcial: Possui área cultural e mais uma.
 Especial: dedica-se a uma área especifica podendo ser cultural, campeira ou artística.
Estudantil: Vinculado a escola pública:  pode ser plena ou parcial.
Votos no Congresso tradicionalista e na convenção e encontros regionais:
Plena: EM plenário 3, na eleição 2, e paga 100% de anuidade.
Parcial: EM plenário 2, na eleição 1, e paga 85% de anuidade.
Especial: EM plenário 2, na eleição 1, e paga 50% de anuidade.
Estudantil Plena: EM plenário 3, na eleição 2, e paga 10% de anuidade.
Estudantil Parcial: EM plenário 2, na eleição 1, e paga 10% de anuidade.

Eventos estaduais:

Congresso tradicionalista 1º ou2º final de semana de janeiro
FECARS: 3º final de semana do mês de março
Seminário estadual de prendas: Junto ao FECARS
Entrevero cultural de peões: NO 2º ou3º final de semana de abril
Ciranda estadual de prendas: no 3º final de semana do mês de maio
Convenção tradicionalista: ultimo final de semana de julho
Acendimento da chama: mês de agosto
Aberto de esportes: outubro
Aniversário de MTG: 28.10
Tcheencontro da juventude: junto com aniversário do MTG outubro ou novembro
ENART- FINAL: 3º final de semana de novembro

Mostra de arte e tradição gaúcha: junto a final do ENART.